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terça-feira, 3 de março de 2026

O que começou sem aviso

(um encontro que a vida cuidou do tempo de acontecer)

virou paixão.

E agora, devagar,

vai se transformando

nesse amor consciente 

repleto de desejo


Fazia muitos anos

que eu não escrevia sobre o amor:

sobre a intensidade

que não bate à porta todo dia,

sobre o raro

que às vezes me deixa emocionada

no meio do dia 

assim, sorrindo,

lembrando como é bom

viver ao seu lado.


Eu dizia:

não quero me apaixonar.

Dizia como quem tranca o peito

pra não ventar por dentro.

E aí você chegou

e trouxe à tona

a vontade de abrir,

sentir tanta coisa,

e me permitir viver.


Quando te conheci, eu te disse:

eu busco paz num relacionamento.

E sei que 

paz não é ausência de conflito

nem promessa de colher flor sem tocar no espinho.

Como você me disse 

“Somos sensíveis”

e o afeto também tem suas marés:

às vezes é ruído 

às vezes é espelho

às vezes é sentir o que não cabe no peito


Paz é território amoroso.

Paz é ter chão pro diálogo

com vulnerabilidade e honestidade.

Paz é saber que dá pra falar

sem medo de perder

Paz é perceber

o quanto a relação nos potencializa.


Paz é sentir

que o presente tem húmus suficiente

pra cultivar sonhos

e colher futuro.


O amor é revolucionário.

E eu tenho experimentado revoluções ao seu lado


Você me inspira.

Você me nutre.

Você me acalma.

E você me incendeia.


O que eu sinto por você

e o que eu vivo no nosso encontro

não cabe em palavras.

Talvez por isso

o desejo de escrever

não se esgote:

só se amplia.


domingo, 18 de janeiro de 2026

É bonito ver sonhos ganhando corpo


Temos chão, água, ar e fogo.

Temos vontade e muita.

Mas não temos pressa.


Confiamos

no encontro,

na vida,

no ritmo

da nossa dança.


Porque os sonhos são muitos,

mas a realidade já transborda:

carinho, respeito, desejo,

cuidado, admiração.

Amor.


Com você aprendi

que o tempo não é imposto:

ele se tece.


Não é cedo, nem tarde.

Não é rápido, nem devagar.

É nosso.


Criamos o tempo

enquanto caminhamos.


Atentos ao essencial:

cuidar com amor do jardim

que seguimos cultivando.


Nossa terra.

Nosso espaço.

Nosso encontro.


Onde as flores brotam

e os frutos amadurecem

no nosso tempo,

não no tempo do mundo.


Que sejamos adubo

para crescer juntos.

Que sejamos presença

e potência

um na vida do outro.


Que sorte

a vida ter cruzado

nossos caminhos.


Que sorte

habitar

a sua felicidades.



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O nosso encontro é um grande banquete.

À mesa, desfrutamos o corpo,

apreciamos os corpos

nossos.


Há fartura de beijo,

toque, cheiro, afeto, dengo.

A língua degusta a pele

desejo alimenta a vontade

de repetir, de recomeçar:

tapas, mordidas, apertos,

pitadas de intensidade

que deixam tudo no ponto.


Há fartura de tesão:

esfregar, gozar, trepar,

chupar, lamber, se encaixar —

nada em excesso,

é partilha:

dividimos a mesa

celebrando o encontro.


E é tanta a fartura

que a morada do corpo vira casa:

onde eu me dispo inteira pra você 

e nós servimos de novo.


Ficamos ao som de Janis Joplin,

saboreando com a língua

os gostos do prazer.

Sentimos com inteireza


No fim da noite, satisfeitos,

olhamos as constelações, que são  nossas:

elas surgem dos sinais

que a pele acendeu,

Já que são estrelas que só existem

quando nossos corpos se encontram.