O que começou sem aviso
(um encontro que a vida cuidou do tempo de acontecer)
virou paixão.
E agora, devagar,
vai se transformando
nesse amor consciente
repleto de desejo
Fazia muitos anos
que eu não escrevia sobre o amor:
sobre a intensidade
que não bate à porta todo dia,
sobre o raro
que às vezes me deixa emocionada
no meio do dia
assim, sorrindo,
lembrando como é bom
viver ao seu lado.
Eu dizia:
não quero me apaixonar.
Dizia como quem tranca o peito
pra não ventar por dentro.
E aí você chegou
e trouxe à tona
a vontade de abrir,
sentir tanta coisa,
e me permitir viver.
Quando te conheci, eu te disse:
eu busco paz num relacionamento.
E sei que
paz não é ausência de conflito
nem promessa de colher flor sem tocar no espinho.
Como você me disse
“Somos sensíveis”
e o afeto também tem suas marés:
às vezes é ruído
às vezes é espelho
às vezes é sentir o que não cabe no peito
Paz é território amoroso.
Paz é ter chão pro diálogo
com vulnerabilidade e honestidade.
Paz é saber que dá pra falar
sem medo de perder
Paz é perceber
o quanto a relação nos potencializa.
Paz é sentir
que o presente tem húmus suficiente
pra cultivar sonhos
e colher futuro.
O amor é revolucionário.
E eu tenho experimentado revoluções ao seu lado
Você me inspira.
Você me nutre.
Você me acalma.
E você me incendeia.
O que eu sinto por você
e o que eu vivo no nosso encontro
não cabe em palavras.
Talvez por isso
o desejo de escrever
não se esgote:
só se amplia.