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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O nosso encontro é um grande banquete.

À mesa, desfrutamos o corpo,

apreciamos os corpos

nossos.


Há fartura de beijo,

toque, cheiro, afeto, dengo.

A língua degusta a pele

desejo alimenta a vontade

de repetir, de recomeçar:

tapas, mordidas, apertos,

pitadas de intensidade

que deixam tudo no ponto.


Há fartura de tesão:

esfregar, gozar, trepar,

chupar, lamber, se encaixar —

nada em excesso,

é partilha:

dividimos a mesa

celebrando o encontro.


E é tanta a fartura

que a morada do corpo vira casa:

onde eu me dispo inteira pra você 

e nós servimos de novo.


Ficamos ao som de Janis Joplin,

saboreando com a língua

os gostos do prazer.

Sentimos com inteireza


No fim da noite, satisfeitos,

olhamos as constelações, que são  nossas:

elas surgem dos sinais

que a pele acendeu,

Já que são estrelas que só existem

quando nossos corpos se encontram.


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