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domingo, 18 de janeiro de 2026

É bonito ver sonhos ganhando corpo


Temos chão, água, ar e fogo.

Temos vontade e muita.

Mas não temos pressa.


Confiamos

no encontro,

na vida,

no ritmo

da nossa dança.


Porque os sonhos são muitos,

mas a realidade já transborda:

carinho, respeito, desejo,

cuidado, admiração.

Amor.


Com você aprendi

que o tempo não é imposto:

ele se tece.


Não é cedo, nem tarde.

Não é rápido, nem devagar.

É nosso.


Criamos o tempo

enquanto caminhamos.


Atentos ao essencial:

cuidar com amor do jardim

que seguimos cultivando.


Nossa terra.

Nosso espaço.

Nosso encontro.


Onde as flores brotam

e os frutos amadurecem

no nosso tempo,

não no tempo do mundo.


Que sejamos adubo

para crescer juntos.

Que sejamos presença

e potência

um na vida do outro.


Que sorte

a vida ter cruzado

nossos caminhos.


Que sorte

habitar

a sua felicidades.



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O nosso encontro é um grande banquete.

À mesa, desfrutamos o corpo,

apreciamos os corpos

nossos.


Há fartura de beijo,

toque, cheiro, afeto, dengo.

A língua degusta a pele

desejo alimenta a vontade

de repetir, de recomeçar:

tapas, mordidas, apertos,

pitadas de intensidade

que deixam tudo no ponto.


Há fartura de tesão:

esfregar, gozar, trepar,

chupar, lamber, se encaixar —

nada em excesso,

é partilha:

dividimos a mesa

celebrando o encontro.


E é tanta a fartura

que a morada do corpo vira casa:

onde eu me dispo inteira pra você 

e nós servimos de novo.


Ficamos ao som de Janis Joplin,

saboreando com a língua

os gostos do prazer.

Sentimos com inteireza


No fim da noite, satisfeitos,

olhamos as constelações, que são  nossas:

elas surgem dos sinais

que a pele acendeu,

Já que são estrelas que só existem

quando nossos corpos se encontram.