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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O nosso encontro é um grande banquete.

À mesa, desfrutamos o corpo,

apreciamos os corpos

nossos.


Há fartura de beijo,

toque, cheiro, afeto, dengo.

A língua degusta a pele

desejo alimenta a vontade

de repetir, de recomeçar:

tapas, mordidas, apertos,

pitadas de intensidade

que deixam tudo no ponto.


Há fartura de tesão:

esfregar, gozar, trepar,

chupar, lamber, se encaixar —

nada em excesso,

é partilha:

dividimos a mesa

celebrando o encontro.


E é tanta a fartura

que a morada do corpo vira casa:

onde eu me dispo inteira pra você 

e nós servimos de novo.


Ficamos ao som de Janis Joplin,

saboreando com a língua

os gostos do prazer.

Sentimos com inteireza


No fim da noite, satisfeitos,

olhamos as constelações, que são  nossas:

elas surgem dos sinais

que a pele acendeu,

Já que são estrelas que só existem

quando nossos corpos se encontram.


sábado, 20 de dezembro de 2025

O que começou com um olhar singelo

vira constelação:

quanto mais tento apontar,

mais estrelas escapam.


As sensações são tantas,

que quando tento alinhar,

elas escorrem pelos intervalos.

Então escolho o Indizível:

essa língua sem alfabeto,

essa gramática sem letras,

que o corpo entende.


Borboletas inquietas

tecem no ventre uma dança de vento;

e, ao mesmo tempo,

os pés firmes assinam o chão.


E, diante disso, caminho atenta

como quem segura um copo cheio 

sem derramar o que treme.


Há em mim um silêncio

que acolhe o barulho do coração,

e ainda assim,

uma parte insiste em descalçar o mundo,

tirar os pés do chão,

fazer do instante jardim.


A vontade se apresenta 

como maré sob lua cheia.


Eu não sei nomear.

E talvez nem queira:

há coisas que, quando nomeadas,

viram apenas som.


Então eu fico:

dando espaço para o sentir

como quem abre a janela

e não pergunta ao vento

para onde ele vai.


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Entre desencontros, algo acontece no espaço do encontro.
Como brasas que se reconhecem no escuro,
um incêndio lento
que começa no gesto,
se espalha no cheiro
e encontra território no toque, no olhar.
Na boca que encaixa. 

Os corpos
seguem como rios noturnos
Fluxo que leva ao mar 
E onde a pele diz sem pressa.

O desejo nasce 
No olhar que percorre antes de chegar.
Na palavra que não é dita
porque queimaria na boca.

No espaços o silêncio nos envolve,
os corpos conversam em murmúrios de pele.
A respiração cria um ritmo próprio,
feito de ondas que se aproximam
e se afastam
apenas para voltar a tocar mais fundo.

Nesse encontro,
não há pressa 
apenas o entendimento de que o ritmo,
faz dos corpos 
 território onde o tempo se curva
e a pele aprende a respirar mais fundo.


O amor (versão 02)


É  coragem 

de atravessar muros

 buscar o encontro

 vida  


O amor pede 

peito aberto,

coração disposto

Pra sentir 

 dançar,

É encontro que nos transforma

 Sem medo de despedaçar.


Amor é prática ,

 Cuidado que se manifesta

dentro e fora de nós,

 pulso que sustenta

a existência.


Compromisso que germina,

Ação que floresce em nudez:

entregues à honestidade do viver.


Amar é reconhecer 

 teia de vida


Coragem de 

se abrir

Tocar

 à complexidade do ser


O amor  pede tempo.

É crescimento mútuo,

É saber que não sustentamos caminhar sozinhos, mas em comunhão.

O amor (versão 01)

 

O que é o amor?

Senão a coragem de viver o encontro

com as raízes que nos emaranham?


O que é o amor,

senão abrir o peito

deixar o vento atravessar,

sentir a vida

 sem medo de quebrar






quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Submerso

 Me fascina seu mergulho na cena

O recorte do momento

Teus olhos

E eu tentando captar em imagem 

Como quem tenta entender a brisa

O encanto de quem eterniza o instante

Enquanto eu me encanto no seu jeito de ver.



Olhar mar

Olhar o mar


Te olhar


É como mergulhar na imensidão


E me encontrar no aconchego de casa